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January 31 Na Feira Solidária“Na feira solidária vamos todos cirandar Vamos dar as nossas mãos, nossas mãos vamos dar Eu contigo e tu comigo, sem patrão e sem peão Na luta cotidiana nossa vida transformar...” (Livre adaptação de ciranda, cirandinha feita por Bino, Evelin e Elisandro)
Geralmente quem vai para a praia vai para se divertir, para descansar, tomar um sol, pegar um bronzeado. Geralmente quem vai para uma feira vai ou para expor ou para comprar. Nós fomos para uma Feira em uma Praia para alegrar e divertir as pessoas. Para realizar um momento de parada e reflexão através da cultura. Esse foi o objetivo que o Grupo Baú de Encantos (através do Bino, da Evelin e do Elisandro), foram para a 3º Feira Binacional de Economia Popular e Solidária de Santa Vitória do Palmar, 1º Feira de Agricultura Familiar, 1º Feira de Economia Solidária do Fórum Regional Sul de Ecosol, 1° Amostra de Biodiversidade e 2º Feira da Rede Solidária do Extremo Sul na Praia do Hermenegildo, que aconteceu nos dias 10 a 13 de janeiro. Com a apresentação de duas esquetes, uma na abertura da 3º Feira e outra na Plenária do Fórum Gaúcho de Economia Solidária, levamos a magia por meio da arte. Na abertura da Plenária brincamos com o lúdico e a Economia Solidária com balões e histórias de vida de três pessoas que lutam no seu dia a dia para manter seus empreendimentos vivos no meio ao capitalismo e ao consumo desenfreado que assola nossa sociedade. Com poemas e músicas os três personagens conversaram com o público sobre as dificuldades e as alegrias de se trabalhar de uma forma solidária. No final todos saíram motivados e com a esperança de que uma outra economia é possível no trabalho coletivo e solidário. Uma outra economia é possível se mostrou ainda mais presente na abertura da 3º Feira Binacional de Economia Solidária. Onde os três personagens quebraram a rotina e o protocolo de uma abertura oficial subindo no palco e convidando todos os participantes, feirantes, autoridades, todo o público que participava a realizar uma festa em nome da alegria e da solidariedade. Realizou-se um cortejo, uma caminhada com banners e produtos que estavam sendo vendidos pelo espaço da feira, chegando novamente ao palco onde encontram uma pessoa amarada e atada simbolizando as dificuldades de se caminhar, de falar, de olhar, e para liberta-lo dessas amarras era necessário que cada um desse uma mão para esta pessoa. Ao libertar cada feirante colocou nesse jovem algum elemento de sua cooperativa, grupo de economia solidária mostrando que a uma outra economia mais solidária, mais justa, realizado pelos pequenos pode libertar, conscientizar. Esta festa acabou em ciranda. Essas esquetes nos sensibilizaram e não somente a nós, mas a todos os que participavam desta grande feira, valorizando de uma forma lúdica o trabalho que promove, emancipa e gera autonomia nas mulheres e nos homens que dependem do trabalho de suas mãos. O Grupo Baú de Encantos comunga da proposta da Economia Solidária por isso foi para este espaço de encontro para mostrar que uma arte independente é possível, uma arte onde o público além de platéia é quem constrói junto, por isso dizemos que uma outra economia é possível e uma OUTRA CULTURA também.
Bino, Evelin e Elisandro. December 14 2008 promete!!
Temos uma novidade para 2008... Boa demais!
Mas calma! Antes vamos ver o que andamos fazendo... Além das apresentações que seguem de vento em popa (estivemos por Rio Pardo, no Colégio Auxiliadora, trabalhando “O universo da imaginação” com as crianças; em Canoas, no projeto “Cidadania na praça”, da Universidade La Salle, apresentando também “O universo...” para 60 crianças; na escolinha Arco-Íris, em Eldorado do Sul, apresentando a peça da biblioteca na formatura de várias crianças no pré – uma experiência muito bacana), estamos nos organizando mais e mais como associação, como grupo de geração de trabalho e renda. Passos importantes estão sendo dados neste sentido.
Hoje estivemos no Programa Missão Jovem, da Rádio Aliança, falando um pouco do nosso trabalho e da relação dele com as pastorais, pois foi aí que nosso grupo deu seus primeiros passos. Muito legal, com a apresentação do Fabrício e da Marcele, estiveram lá o Elisandro, a Simone Deporte e o Tiago.
No dia 16 de dezembro, estaremos com nossa assembléia, avaliando a caminhada deste ano e planejando 2008. Aliás, agora neste mês estamos comemorando meio ano de existência “oficial”.
Mas a grande novidade, tchan-tchan-tchan-tchan... Em março de 2008, estaremos em cartaz na Sala Lili Inventa o Mundo, da Biblioteca Lucília Minssen, da Casa de Cultura Mário Quintana. Temporada dupla: sextas, sábados e domingos, às 16 horas, “O segredo da biblioteca esquecida”, e a noite (horário a confirmar) “O universo da imaginação”, versão adulta.
Eis um passo fundamental para o grupo e que nos enche de felicidade! Já estão todos convidados para virem prestigiar nossas peças, nas quais já estamos trabalhando com muito carinho para que estas apresentações de março de 2008 sejam um sucesso.
Vamos colocando com o tempo as informações direitinho no blog. Acompanhem, e preparem-se para o mês de março. Vai ser inesquecível!
log. Acompanhem, e preparem-se para o mês de março. Vai ser inesquecível! November 09 Colocando as notícias em diaIh, tem gente cobrando que não estamos atualizando muito o blog, ainda mais com tanta coisa acontecendo! Então, para satisfazer o pessoal, vamos colocar as notícias em dia! 1 – No dia 28 de outubro, fizemos o teatro de abertura do Dia Nacional da Juventude 2007 – Arquidiocese de Porto Alegre, realizado no Colégio Marista de Viamão. Foi um momento incrível, para mais de 1000 espectadores. Debatemos a questão do meio ambiente na atualidade – alta produção de lixo, desperdício de alimento e água, seca, poluição, diversos temas que foram se encaixando na vida de alguns personagens centrais. Deslocamos o palco para o centro do salão, e do meio do público foram saindo os personagens, emocionando a todos. Logo as fotos desta peça estarão aqui no blog! 2 – “As lutas da juventude”. Apresentamos para as turmas de 7a e 8a série do Colégio São Francisco, de Guaíba, no dia 8 de novembro. Muito debate com as turmas, nossa! Temas polêmicos e realidade social da juventude pautaram as conversas durante e após a apresentação. Para quem não sabe, esta peça é toda dialogada: enquanto pequenas esquetes vão apresentando as lutas dos jovens, os alunos são convidados a contribuir com suas opiniões. Para não dizer que ficamos nos gabando, olha aí um trecho do depoimento que a Jéssica, da oitava série, mandou:
“Conheci hoje... E me surpreendi com o trabalho de vocês. Sou aluna da Renata e ela falava do grupo e tal... Mas não imaginava que era tão tri. Sempre gostei de teatro, mas quando a peça é realmente boa, ela chama mais atenção ainda. Na peça que apresentaram, foi muito bom pra poder debater com a galera. Saímos um pouco das coisas de aula pra debater sobre um assunto que está muito na nossa volta mas que nem é tocado muito nas escolas. Foi bom, aprendi muitas coisas novas. Espero ter a oportunidade de ver próximas peças de vocês.. Ainda mais agora que sei que realmente vale a pena.”
3 – A versão para adultos do “Universo da Imaginação” continua fazendo sucesso. É sempre muito vivenciado e emocionante, pois o público vai trazendo suas recordações. Apresentamos recentemente na noite de abertura também da Semana Acadêmica da Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia e Enfermagem do IPA, contagiando e sendo contagiados pelos alunos participantes. Também trabalhamos com educadores da Lomba do Pinheiro, no dia 1o de novembro. 4 – “A biblioteca mágica”, agora mudando de nome para “O mistério da biblioteca esquecida”, segue com sucesso! Na escola La Hire Guerra, de Eldorado Do Sul, apresentamos para mais de 300 crianças, em 3 sessões, no dia 6 de novembro. Uma diversão para nós e para as crianças, ainda mais por estamos estimulando o prazer de ler. Não tem quem não saia gritando “Livro!” para o fantasma, ou querendo encontrar o livro misterioso. Foi tão bom que voltaremos no final do mês para apresentar para as turmas da manhã. 5 – Segue nosso trabalho permanente toda segunda nos abrigos da zona norte de Porto Alegre. 6 – Chegou nosso CNPJ! Estamos cada vez mais dentro dos “conformes” e buscando nosso profissionalismo, tentando fazer o grupo crescer e se organizar melhor e melhor! E vamos indo... A programação segue... Estamos sonhando novos projetos para 2008 e a continuidade dos existentes! Aguardem novas notícias, hehehe! (Tiago) October 16 Segredos esquecidos a serem reveladosAssim como o livro misterioso apresenta os segredos da biblioteca (em nossa nova peça), nossos corações guardam os segredos de um mundo mais justo e solidário. Apenas precisamos abri-los e deixar que todos tenham acesso ao que de bom existe dentro de cada um de nós. Então, o mundo se encherá de cores verdadeiras, chamadas paz, solidariedade, carinho, amor, esperança! Cores que se revelam em abraços, toques, carinhos, beijos estralados, sorrisos maravilhados! E, claro, nossos corações escancarados para o mundo, revelando os mistérios e segredos que derrotam qualquer monstro!
Nossa, quase um mês que não atualizamos o blog com notícias. E olha, não é por não ter nada, não, mas por ter coisa demais! Nós, do Grupo Baú de Encantos, estamos encantados. Em nossas contações, oficinas, teatros, estamos vendo no rosto das crianças e adolescentes a magia e a alegria, que nos fazem ir para frente e continuar sonhando. Reforçamos a nossa crença de que é possível ainda mergulhar em um universo de imaginação e fantasia, buscando no íntimo de cada um o gosto pela brincadeira; fazer nascer nos rostos aquele sorriso gostoso, simples e mágico de quem está maravilhado com o que vê; descobrir que é possível, sim, o trabalho em grupo e cooperativo, onde todos descobrem o respeito mútuo e a verdadeira solidariedade; levantar discussão sobre a realidade juvenil, o preconceito, a participação social. E, claro, ir fazendo novos amigos, contatos, abraços apertados, e sorrisos, muitos sorrisos! Vou tentar fazer um resumão do que aconteceu neste último mês, que não é pouca coisa! 1 – Já foram 5 encontros com as crianças dos abrigos da zona norte. Está sendo um mergulho na realidade, uma convivência cheia de carinho, de histórias de vida. Começamos apresentando “O universo da imaginação”, depois passamos para contação de histórias, e no último encontro oficina com exercícios do Teatro do Oprimido. Aos poucos, as crianças e adolescentes estão mergulhando na imaginação, no respeito um ao outro, no trabalho solidário e cooperativo. Pequenos gestos às vezes esquecidos... 2 – Assinamos projeto com a FASE/RS, na sua rede de parceiros para trabalhar com os jovens privados de liberdade, no dia 10 de outubro. Leia a matéria e nossa participação em www.fase.rs.gov.br/portal/index.php?menu=noticia_viz&cod_noticia=531. 3 – 27 e 28 de setembro, momentos incríveis em Santo Antônio da Patrulha! Estréia da nossa nova peça, “A biblioteca mágica”, ou “O segredo da biblioteca esquecida”, para um público de mais de 100 crianças! Lindo demais! A peça fala de incentivo a leitura, outra hora conto mais em um post exclusivo. Também trabalhamos turma por turma com “O universo da imaginação”, além de apresentar para educadores da escola, estudantes de magistério e professores da rede municipal. E ainda oficinas de teatro e confecção de brinquedos e instrumentos musicais com material reciclável. Foi maravilhoso! 4 – Semana da Criança agitadíssima, mal deu para respirar! Em Porto Alegre, no Colégio Esmeralda, no bairro Agronomia, três dias! E no dia 11/10, na Escola São José, na Barra do Ribeiro. Trabalhamos ao todo com cerca de 800 crianças e adolescentes nesta semana. Nossos rostos cansados contrastavam com nossos corações cheios de carinho e abraços e sorrisos! 5 – Apresentação das “Lutas da Juventude” para os crismandos da Paróquia Santa Clara. Altos debates sobre o protagonismo juvenil, no dia 14 de outubro. Descobrimos que para muitos jovens a ditadura militar, a real situação da questão agrária no país, as lutas reais da juventude, ainda são segredos a serem descobertos. É conhecido apenas o que a televisão nos passa, com todo preconceito possível!
Por fim, motivo de festa: nossa associação finalmente está registrada juridicamente! Agora estamos apenas esperando nosso CNPJ. Em menos de um ano de atividades, passos importantes sendo dados, e o futuro que vislumbramos é cada vez mais bonito. (Tiago) September 19 Uma reflexão após abrir o Baú..."O Contador de histórias africano começa assim: não queremos dizer, não queremos dizer que o que vamos contar agora é verdade. É apenas uma história, uma história; deixe-a ir e vir". (O Baú das Histórias - Gail Haley)
Quero começar este texto trazendo a reflexão que faço neste pôr de sol, que enxergo da janela de casa, sobre os sonhos que deixamos ir e vir. O que lhes conto é apenas uma história, mas é uma história que criou asas e voou. História que se faz presente nas pessoas e nas crianças. E como diz a letra da música da Bhia Tabert, composta para a peça “O Universo da Imaginação”: “Vou contar uma história que fala de brinquedo e brincadeira. Quem gosta de fantasia, conto de fadas e castelo assombrado vai gostar, então ouça que vamos começar.” A história do Baú de Encantos está sendo contada neste blog, mas hoje queria lhes contar do que andamos fazendo, dos nossos sonhos que estão encantando e fazendo crianças sorrir, de uma forma embaralhada mas com os meus sentimentos. Para um grupo que não tem um ano de vida ainda estamos muito avançados em nossos sonhos e nossas utopias se fazem na ação do olhar e do brincar. Não sei se isso se dá pelo desejo dos integrantes deste Baú de encantar ou o quê. Mas acredito que é na vontade que temos de construir algo novo que vamos caminhando e trilhando novos rumos. Nestes últimos meses, de agosto e setembro, fiquei pensando em como estamos atarefados, é tanta coisa que às vezes não conseguimos nos organizar. É a peça da Família Pirata, que apresentamos em mais dois colégios de São Paulo e em uma atividade no Museu de Guaíba. É o Universo da Imaginação, que já apresentamos para mais de 300 crianças e uns 100 adultos (hoje apresentamos para crianças de 4 a 6 anos na Vila Cruzeiro, em Porto Alegre). Tem também a peça que fala sobre “as lutas e os sonhos da juventude”. Nosso mês de setembro e outubro está cheio com apresentações em escolas do Universo da Imaginação e de um novo projeto que se chama “Biblioteca Mágica” que apresentaremos em Santo Antônio da Patrulha. O que mais me fez ficar encantado nestes últimos dois meses foi em ver o sorriso estampado no rosto das crianças, daqui do Rio Grande do Sul e de São Paulo. São reuniões e mais reuniões. Encontros para ensaio. Encontros para jogar conversa fora. Encontros para estudar. E tudo isso são momentos de vivência, de alegria, de sonhar com o novo. Deste sonhar o novo estamos com outros dois projetos, com outras apresentações marcadas, com muitas idéias que aos poucos vão enchendo o Baú de mais Encantos. É esse sorriso que nos motiva a continuar com os projetos. No olhar dos jovens da FASE e das crianças dos Abrigos, com os quais começamos a trabalhar esta semana de setembro. Não são simples oficinas e simples apresentações. É esperança de que é possível por meio da arte transformarmos, modificarmos e sermos seres com dignidade. São muitos os projetos, os sonhos, as aspirações que este povo do Baú de Encantos tem em seus corações, que a alegria de um contagia a tristeza de outro e leva a se encantar, se alegrar, ser feliz. É de um jeito simples que construímos este Baú. É de um jeito simples que vivemos, que apresentamos. E é uma felicidade enorme que sentimos quando olhamos para as crianças e os jovens. Quando contamos a alguém o que estamos fazendo, e no olhar as pessoas contagiadas pela nossa proposta de trabalho, no olhar de gente nova se agregando ao grupo que continuamos a Encantar e juntar tralhas, bugigangas, novidades, sonhos e esperanças para dentro deste Baú. Bom, o sol já se pôs e tenho que ir para a minha aula. Abraços de encantos.
(Elisandro Rodrigues) 19 de setembro de 2007 "Contei minha história. Entrou por uma porta, saio pela outra. Quem quiser que conte outra." September 05 Um apanhado de novidadesAcho que este texto vai ser pequeno para tanta coisa a ser contada! Mas vamos por partes, então: 1 – Parcerias muito importantes para o grupo estão surgindo: fechamos com a FASE/RS oficinas de teatro para os jovens e as jovens privadas de liberdade. Vai ser uma experiência muito legal, estaremos trabalhando com a gurizada uma vez por semana (duas turmas, ou seja, a segunda inteira), com a técnica do Teatro do Oprimido. No dia 25 de setembro vai haver uma atividade de anúncio dos parceiros da FASE, e o Baú de Encantos será um deles! Além da FASE, começaremos um trabalho com as crianças de abrigos residenciais de Porto Alegre. A princípio, com 4 abrigos da zona norte da cidade. Será um trabalho de incentivo a leitura, com contação de histórias, oficinas culturais e, mais adiante, teatro e a montagem de uma peça. Com estes dois projetos, assumimos de vez o nosso compromisso social. Não queremos apenas dar espetáculo, mas também nos envolver e nos comprometer com uma sociedade mais justa e fraterna. Quando os projetos começarem para valer, contamos mais! 2 – No final de semana passada, duas apresentações bem legais. Na sexta, dia 31 de agosto, o grupo apresentou “As aventuras da família pirata” no Museu Carlos Gomes, em Guaíba. O que estava acontecendo era um Encontro de Declamadores da região, e os piratas invadiram o espaço dos gaúchos pilchados! Foi uma troca cultural bem interessante, e no final todos se divertiram com a peça. No dia 2 de setembro, apresentamos para os participantes do curso “Um olhar sobre a vida” do Instituto de Pastoral da Juventude do RS, em Porto Alegre. Em uma manhã que começou com o grupo “Os miseráveis”, de atividades circenses, e um momento de biodança, o nosso teatro sobre discussão da realidade juvenil encerrou os trabalhos. Debatemos muito sobre a participação da juventude, lembramos pessoas e episódios marcantes, em uma peça em forma de procissão. 3 –Por fim... Mais uma semana em São Paulo, de 10 a 14 de setembro, em 3 escolas: Ranieri, Invenções e São Luís. Serão quase 20 apresentações da Família Pirata. Haja fôlego! Então, vamos ao trabalho! Outras coisas legais estão sendo sonhadas, mais pessoas se achegando ao grupo, nossos objetivos vão se concretizando! August 27 Histórias e conversas sobre o universo da imaginaçãoNeste final de semana estive em Monte Castelo, comunidade de Pantano Grande, assessorando uma atividade da PJ. Lá, conversei com a Caroline, professora em uma escola de Rio Pardo. Falamos muito sobre o lúdico e as brincadeiras entre as crianças, e de como hoje está tudo mais para msn, coisas eletrônicas, e tal, e o mundo da fantasia e do sonho adormece. Falamos sobre a simplicidade da vida! Também ouvimos alguém dizer que os tempos que correm são tristes. Estresse, depressão e outras doenças psicológicas se avolumam. As pessoas sentem-se sós no meio da multidão. Desejos são difíceis de serem satisfeitos – pois sempre surgem mais e mais desejos, produzidos pela publicidade e pelo consumismo. E nossa imaginação, nosso lado lúdico, nosso prazer em brincar, brincar por brincar, o sorriso alegre nos lábios pelas coisas simples da vida, vai ficando cada vez mais raro. Viajamos menos nos livros, ficamos mais horas na frente da televisão. Escrevo isso para falar da nossa peça. Em quase uma hora de apresentação, vamos contando para as crianças histórias relacionadas com brinquedos. O medo de dormir no escuro é acalentado pelo abraço nos bichinhos de pelúcia; o aprender a ler abre portas para universos incríveis na literatura, como o Sítio do Pica-Pau Amarelo; o menino brincando de bonecas causa risadas, mas por mais “modernos” que sejam nossos tempos, as crianças ainda dividem claramente brinquedos de menino e de menina, um limite que causa estranhamento quando ultrapassado; os jogos coletivos com os amigos – bolita, jogo de botão (nossa, ainda se joga, será??); o sonho de ser campeão de corridas brincando de carrinhos; a coleção de figurinhas e papel de carta (poxa, papel de carta ainda existe? Ainda escrevemos cartas nos tempos que correm?); e por aí vai, outras histórias vão sendo contadas e incorporadas no decorrer das apresentações. Com o universo da imaginação queremos propor esta viagem, em geral para turmas de crianças de escolas públicas, de periferia, que menos acesso ainda têm a teatro, livros. Apresentamos a peça turma por turma, não mais de 30 crianças, para podermos conversar e conhecer – não são nosso público, mas participantes, que interagem o tempo todo; queremos contar histórias para preservar a oralidade, e não dar show. Deste modo, em cada escola, acabamos apresentando muitas e muitas vezes a mesma peça, mas cada vez é diferente e tem um sabor especial, pois as crianças contam as suas próprias histórias e de seus brinquedos, o que faz nosso baú de encantos transbordar de memórias. Então, todos viram contadores! Ah, duas histórias para encerrar e ilustrar esperanças: nesta semana li dois livros com minha afilhada, “O baú de histórias”, de uma lenda africana, e “Rosa Maria no castelo encantado”, do Érico Veríssimo. Ríamos e conversávamos enquanto acompanhávamos o decorrer das narrações. Nem deu vontade de ver TV. Talvez falte isso, aquela velha alegria de sentar juntos ao redor da fogueira e partilhar sonhos... Outra: estou dia desses em uma livraria e ouço uma menina pequena pedindo determinado livro para sua avó. A avó olha, meio desconfiada, e pergunta: “você não prefere ir a uma loja e comprar umas roupas?”. Mas eis que a menina bate o pé: “não, eu quero o livro”. Não sei se no final das contas compraram o livro, mas dei um sorriso orgulhoso por aquela menina. Então, fica o convite a todos para mergulhar no universo da imaginação. E encerro com um trecho da música da Bhia, que abre a peça. Assim, encerro começando: “Eu vou contar uma história, que fala de brinquedo e brincadeiras...”. P.S: Se a professora Caroline ler este texto, fica o recado: queremos muito levar o universo da imaginação para Rio Pardo! (Tiago) August 26 “Ou o tempo é invenção ou é nada”Bergson foi um filósofo francês que teve muita influência nos meados do século XX. Ganhou prêmio Nobel de Literatura em 1927, e é dele a frase com que inicio este texto e dá titulo ao que escrevo. Utilizo muito está passagem para inúmeras coisas que escrevo, a última vez que a utilizei foi para a gravação da minha mensagem de agradecimento para minha formatura, aliás todos estão convidados e convidadas, dia 19 de janeiro de 2008. Mas hoje utilizo esta frase com um sentido mais amplo, trazendo para o campo do teatro e do fazer arte. O Grupo Baú de Encantos vem nestes últimos meses inventando o tempo, ou criando com o tempo. São muitas as atividades que já temos agendadas e alguns projetos que estão começando a aparecer, como por exemplo um projeto de contação de histórias e oficinas de teatro com crianças que moram em abrigos. Para um grupo que nasceu este ano já estamos bem, com muitas atividades, muitas apresentações e alguns espaços de articulação. Todo este trabalho que estamos realizando é algo diferente, para nós, e acreditamos para o teatro e o tema de produção e geração de renda. Sabemos que no Brasil são muitos os grupos culturais que trabalham com Economia Popular e Solidária (Geração de Renda), mas são poucos os que estão ligados com a temática do teatro. Como nos fala Spolin: “A partir do objeto da procura de autenticidade e verdade, o teatro torna-se a possibilidade de restauração da verdadeira produção humana (...) Longe de estar submisso a teorias, sistemas, técnicas, leis, o ator passa a ser artesão de sua própria educação, aquele que produz livremente a si mesmo (...) O Fazer artístico é concebido como uma relação de trabalho.” (Viola Spolin. Improvisação para o teatro. São Paulo: Editora Perspectiva. Pg 13 e 14). Podemos perceber que a relação de trabalho com a arte está muito ligada, e que com isso restauramos a produção humana e a educação. O que queremos com a proposta do Baú de Encantos é isso: produzir reflexão, educação e geração de renda através do trabalho com o teatro. Queremos inventar de uma forma criativa e lúdica, onde possamos trazer temas polêmicos, como o da pirataria, temas de reflexão como o mundo da imaginação e de provocação trabalhando a temática da conformidade juvenil. Tudo isso de um jeito simples, quase que de leigos que querem produzir teatro, mas também de uma forma divertida onde possamos estabelecer na relação do teatro possibilidades de sermos mais humanos. (Elisandro Rodrigues) August 14 Sobre piratariaBem, "As aventuras da família pirata" trata de um tema polêmico, a pirataria. Todo mundo que nos conhece vem dizer: "ah, pois é, eu baixo uns filmes e músicas da internet", ou "pirataria não é crime, pois o problema são as empresas que cobram uma fortuna pelos produtos", e por aí vai.
É um tema complicado mesmo. Estava pensando sobre isso hoje e resolvi escrever umas idéias.
1 - O teatro não enfoca apenas a pirataria em si. Resolvemos ir além, e trabalhar as questões humanas dentro da peça, a ética da vida, da solidariedade. Deste modo, com a personagem da "mãe pirata", discutimos relações de gênero, pois no início da peça ela vive apenas para limpar a casa e cuidar dos filhos e marido. Aos poucos, ela vai descobrindo que a vida não é apenas isso, deixando de ser "pirata". Com o "filho pirata", problematizamos as relações na educação. Ora, ele destrói o patrimônio escolar, é um péssimo exemplo, mostrando uma realidade forte nas escolas hoje. Quantas notícias de agressão e violência não acompanhamos toda hora? Aos poucos, ele também deixa de ser "pirata".
2 - A questão do consumismo precisa pautar o debate. Não podemos esquecer que vivemos em uma sociedade capitalista, que visa o lucro, e todos querem vender. Ora, assim é óbvio que a pirataria prejudique muita gente. Mas será quer precisamos consumir tanto? Precisamos ceder a tantos apelos publicitários, e querer comprar, comprar, comprar? Com a "filha pirata" discutimos isso, pois ela quer estar na moda, ter as melhores roupas, e aos poucos ela vai descobrindo que não é isso o importante, não é isso que define uma pessoa. A publicidade está por tudo, dizendo muitas vezes que para sermos cidadãos precisamos ter o último celular, o carro do ano... E a publicidade é vista na classe alta e na favela, produzindo desejos em quem não tem acesso... A lógica da violência não pode caminhar um pouco por aí? O produto inclui - alguns podem comprar - outros não! Além disso, tudo vai ficando descartável. A peça faz uma análise crítica disso.
3 - O quarto poder, a mídia, também está em pauta. O "pai pirata" trabalha em uma rádio pirata, outra coisa que está sempre na mídia. Tantas rádios piratas espalhadas pelo país. Mas porque não discute-se também o monopólio dos meios de comunicação? Quem fiscaliza as grandes empresas, que tanto apregoam a "liberdade de expressão"? E as rádios comunitárias que não conseguem se legalizar pela burocracia do sistema, muitas vezes tendo de ser pirata? Ixi, quanta polêmica.
4 - E claro, tem os produtos propriamente ditos, piratas e/ou falsificados. Com a "Vó pirata" debatemos esse ponto, tendo como foco os medicamentos. É necessário se trilhar um longo caminho para combater a pirataria e, ao mesmo tempo, todos estarem interessados em permitir que a população tenha acesso aos produtos. Com a "Vó", o tema do descartável volta em relação aos seres humanos. Ela passa a peça toda meio ignorada, até todos darem-se conta do seu valor, do respeito para com o idoso.
O caráter capitalista da nossa sociedade define muitas coisas citadas acima. Pirataria é crime? É. Ninguém gosta de ser plagiado, roubado, e por aí vai. Mas, além disso, o debate do acesso, do exagero do consumismo, entre outros, também precisam ser feitos.
Enfim, foram só alguns pensamentos, mas que mostram como queremos abarcar uma ampla gama de idéias com a peça, produzindo reflexões críticas para valer.
(Tiago) August 09 Agitando com a CataventusNo dia 08 de agosto, estivemos participando do Projeto Agitação, da Ong Cataventus. É uma Ong de contadores de história, que realiza diversos trabalhos em hospitais, escolas, abrigos, e muito mais! Vale a pena conhecer o trabalho deles!
Uma vez por mês, realizam o Agitação. É uma atividade de dia inteiro em alguma escola pública, com realização de oficinas, contação de histórias, teatro, atividades educativas, tudo muito legal! Ontem participamos juntos, na Escola Municipal Villa-Lobos, na Lomba do Pinheiro, apresentando a peça "O universo da imaginação" no período da tarde, para turmas de educação infantil e séries iniciais. Uma experiência muito bacana para o grupo.
Fomos em cinco: a Fernanda, a Bhia e eu apresentamos a peça; o Hélio e o Elisandro estavam tirando fotos, conversando com as turmas, apresentando o projeto para o pessoal.
Para terminar, ainda tinha a Orquestra de Flautas da escola, um projeto belíssimo! Diversos jovens da escola e da região participam de oficinas e tocam na orquestra. Música que toca o coração! Quem sabe a Bhia não se aventura em um projeto desses?
No mais, podem ter certeza: o Baú de Encantos estará sempre agitando com o grupo da Cataventus!
(Tiago) August 07 Abrindo o baú..."Sempre que um homem sonha,
o mundo pula e avança,
como bola colorida,
entre as mãos de uma criança"
António Gedeão
Do inesperado nasce o novo! Em fevereiro de 2007, um convite do pessoal do ICDE (Instituto contra a fraude e defesa da concorrência), meio do acaso... Uma reunião com o Rodrigo e a Caroline... E um convite para criar uma peça de teatro sobre o tema da pirataria! Era o projeto Escolegal iniciando em Porto Alegre. Era, também, o primeiro passo do Grupo Baú de Encantos. Depois da reunião, chamamos a Renata, a Marcele, a Tábata e a Priscila para pensarmos e montarmos “As aventuras da Família Pirata”. No início o grupo nem nome tinha, fomos nos reunindo, sonhando, vivenciando. Dia 19 de março, a grande estréia: esquete de abertura do Projeto Escolegal na Escola Estadual Júlio Grau. No dia seguinte, apresentações da Família Pirata para várias turmas da escola. Dia 29 de abril, nos apresentamos no Colégio Costa e Silva, e dia 03 de abril, no Visconde de Pelotas. Esta última apresentação rendeu até matéria no Jornal Hoje, dia 13 der abril.
E fomos nos animando! A experiência e o contato com os alunos nas escolas nos motivou a tentar fazer do grupo espaço de criação, de intervenção, de educação e, por que não, de geração de renda. Os primeiros passos estavam dados. Enquanto o Escolegal deu uma pausa, decidimos não parar. Então, com a Bhia, e depois a Fernanda, montamos o projeto “Brinca Vida”, com a peça “O universo da imaginação”. Misturando teatro, música e contação de histórias, nos apresentamos para os graduandos de Pedagogia do IPA, alunos de séries iniciais dos colégios Coelho Neto e Paula Soares. No Coelho Neto, também apresentamos durante as atividades do Dia da Cidadania.
Não podia parar. Em uma reunião, em 07 de junho, nascia a Associação Cultural e Educacional Baú de Encantos, formado por: Tiago, Bhia, Fernanda, Elisandro, Renata, Marcele, Priscila, Luciano, Simone e Hélio, além de muitos colaboradores. O Baú se enchia de elementos mágicos! Começávamos a pensar o Teatro Pedagógico!!
Na primeira semana de agosto de 2007, alçamos vôo e a Família Pirata foi se apresentar no Colégio Arquidiocesano Marista de São Paulo, no Projeto Escola, da Amcham (Câmara Americana de Comércio). Na bagagem de volta, o baú veio ainda mais carregado com histórias, rostos, experiências, alegrias e perspectivas de que, através da arte e da cultura, uma outra realidade é possível. A história continua...
(Tiago e Elisandro)
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